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Autogestão habitacional no Brasil: o caso da Vila Comunitária de São Bernardo do Campo

por Caroline Bahiense Guio e Julia Schunck

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Os modelos de mutirão e de autogestão chegaram ao Brasil nos anos 1980 pela influência das cooperativas uruguaias de ajuda mútua. Para a pesquisa, foi escolhida a região do ABC, no estado de São Paulo, o recorte da década de 1980. Nesse período, nessa região, havia uma intensa atuação dos diversos movimentos sociais, como o sindicalismo, as Associações Comunitárias e as Comunidades Eclesiais de Base. Foi tomada como estudo de caso de mutirão autogerido a Vila Comunitária de São Bernardo do Campo.

A autogestão habitacional é um modelo de construção em que a própria comunidade beneficiada gere a solução para sua habitação, seja controlando os recursos, escolhendo o terreno, selecionando a equipe técnica auxiliar às obras, participando dos projetos e/ou configurando a própria mão de obra (UNMP).
A autogestão vai além do ideal utópico de que toda a população de baixa renda possa ter acesso a uma moradia digna, ela objetiva que essa população possa também opinar/ participar no processo de criação de suas residências gerando assim uma residência que respeite seus hábitos e cultura.

A autogestão, juntamente com a autoconstrução, se apresentam como possíveis alternativas para a população que se encontra sem acesso à moradia. No modelo da autogestão uma comunidade organizada participa de todo processo de construção com apoio de uma equipe técnica, que certifica que a construção está se dando de forma tecnicamente correta, eficiente e que trará o conforto e segurança necessários aos futuros moradores. A autogestão difere da autoconstrução a edificação das casas se dá sem auxílio técnico e de modo informal podendo comprometer a qualidade da moradia.
Os mutirões autogestionários funcionam de forma que a construção das residências é gerida pelos futuros moradores, e, por vezes, eles constituem a própria mão de obra. Mesmo nesses mutirões as residências não são consideradas um processo de autoconstrução, pois todo o processo continua a receber o apoio técnico necessário evitando assim as falhas e desperdícios que geralmente aparecem nas obras de autoconstrução.

A participação feminina nos mutirões autogestionários se mostrou forte no Brasil em vários momentos, tanto porque as mulheres chefe de família compõem a maior parte da população de mais baixa renda (FERTRIN; VELHO, 2010, p. 590), quanto porque as mulheres se colocam à frente das decisões referentes à sua futura moradia, não apenas no campo teórico, mas também no prático.

Palavras-chave: Autogestão, habitação social, mutirões autogeridos, Vila Comunitária.

Referências

FERTRIN, Rebeca Buzzo; VELHO, Lea Maria Leme Strini. Mulheres em construção: O papel das mulheres mutirantes na construção de casas populares. Revista de Estudos Femininos (online). v. 18, n. 2, p. 585-606, 2010. Disponível em:<periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-026X2010000200017/13760>. Acesso em: 19 jun. 2018.
UNMP. Autogestão e Moradia, O que é? 20-. Disponível em: <autogestao.unmp.org. br/o-que-e/>. Acesso em: 19 jun. 2018.

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